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MPRN e MPF acionam União por repasses para ações de saúde nos presídios

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Municípios aderiram ao programa federal, mas recursos não foram remetidos. Dívida já ultrapassa R$ 600 mil e situação é considerada caótica


O Ministério Público Estadual (MPRN) e o Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF) ajuizaram ação civil pública contra a União, requerendo que a Justiça determine ao Governo Federal a realização dos repasses previstos na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade (Pnaisp), que deveriam ser disponibilizadas ao Estado desde 2014. No entanto, três municípios já cumpriram as etapas necessárias ao recebimento dos recursos (Mossoró, Parnamirim e Nísia Floresta), mas não receberam o valor de R$ 639 mil a que deveriam fazer jus nesse período.

A Ação, com pedido liminar, foi assinada pela procuradora Regional dos Direitos do Cidadão, Caroline Maciel, e pelos promotores de Justiça Antônio de Siqueira Cabral (39ª Promotoria de Justiça de Natal) e Iara Pinheiro de Albuquerque (coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde – Caop Saúde).
No documento, MPRN e MPF destacam que o Sistema Prisional no Rio Grande do Norte se encontra em situação de calamidade, oficialmente decretada desde 17 de março e prorrogada no último dia 15 de setembro, após a ocorrência de diversos motins e rebeliões.

A população carcerária no Estado é de 7.601, dos quais 2.764 são presos provisórios. O déficit de vagas é de aproximadamente 3 mil. A assistência à saúde dos presos é praticamente inexistente, e isso resulta em alto índice de enfermidades dentro dos presídios, incluindo casos de tuberculose, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e distúrbios mentais, dentre outros problemas de saúde.

Perigo a todos – A situação, alertam o MPRN e MPF, coloca em risco não somente os presos, mas também a vida dos agentes que atuam nos presídios e, indiretamente, a população dos municípios onde estão instaladas as unidades prisionais. O Rio Grande do Norte aderiu à Pnaisp, em julho de 2014, seguida pelas prefeituras de Mossoró, Natal, Nísia Floresta, Parnamirim e Patu.

“Os municípios de Mossoró, Nísia Floresta e Parnamirim cumpriram todos os requisitos para adesão à Política (…). No entanto, a efetivação do trabalho, com a prestação de uma assistência em saúde satisfatória a essa população-alvo, depende do repasse de recursos federais ainda não realizado pela União/MS, fato que impede o início das ações (…)”, relata a ACP.

A situação mais grave apontada é a do Complexo Prisional integrado pela Penitenciária Estadual de Alcaçuz e Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga (Pavilhão 5), localizadas em Nísia Floresta, cuja população em torno de 1.500 custodiados não possui nenhuma assistência à saúde. A direção informou que possui consultório médico pronto e consultório odontológico também equipado, mas não conta com as equipes.

Em Mossoró e Parnamirim, mesmo sem os repasses federais, equipes já realizam algum trabalho assistencial, porém insuficiente. Em relação a Patu, a informação obtida é de que uma equipe prestará assistência ao Centro de Detenção Provisória, que conta com 35 custodiados, e ainda não foi cadastrada junto ao Governo Federal. Hoje, no município, são executadas ações esporádicas.

Prejuízo – Tendo como referência o último mês de agosto, desde a adesão à Pnaisp, em setembro de 2014, o Município de Nísia Floresta já deveria ter recebido 11 parcelas totalizando R$ 314.966,41. Mossoró, que já poderia ter recebido 10 meses, faria jus a um total de R$ 286.333,01. Enquanto Parnamirim, que aderiu em junho último, teria R$ 38.383,03 a receber.

O Pnaisp tem como objetivo promover o acesso dos presos à saúde, através de custeio das ações e de kit de medicamentos de atenção básica, com recursos do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça, este último responsável por reformas e adequações dos espaços físicos e aquisição de equipamentos. O Programa estabelece ainda uma equipe mínima para atenção básica nas unidades que possuam acima de 100 pessoas presas, a ser integrada por médico, enfermeiro, odontólogo, assistente social, psicólogo, auxiliar de enfermagem e auxiliar de consultório dentário.

O acesso a esses incentivos é condicionado à adesão dos estados e municípios e ao cadastramento e habilitação das suas equipes de atenção básica prisional junto ao Ministério da Saúde. A ACP do MPRN e MPF cobra da União, através do Ministério da Saúde, que se garanta o repasse imediato dos recursos federais atrasados e se mantenha a regularidade mensal desse envio de recursos. A ação requer a fixação de uma multa pessoal em desfavor do ministro da Saúde no valor de R$ 5 mil por dia, em caso de descumprimento.
A ação civil pública tramitará na Justiça Federal sob o número 0807591-96.2015.4.05.8400.

Com informações do MPF.

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