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Novidade foi apresentada durante o curso “Como criar um grupo de apoio à adoção?”, promovido pela 12ª Promotoria de Justiça e pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf)

 

Reunir interessados no trabalho voluntário para formar um grupo de apoio em prol da causa da adoção de crianças e adolescentes. Com esse intuito, foi realizado na sede das Promotorias de Justiça da Comarca de Mossoró, nos dias 20 e 21, o curso “Como criar um grupo de apoio à adoção?”. O evento foi promovido pela 12ª Promotoria de Justiça e pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), em parceria com a Vara da Infância e Juventude da comarca e com o projeto Acalanto Natal.

Foram dois dias de discussões intensas, com muita informação. E o resultado pretendido foi alcançado, pois algumas pessoas ao final do curso demonstraram interesse em construir um grupo na cidade. Inclusive, já marcaram uma reunião, para o dia 11 de dezembro, para debatarem essa criação. O papel do Ministério Público, com o grupo formado, será orientar quanto aos procedimentos legais.

É uma espécie de embrião do Grupo de Apoio à Adoção (GAA), como explicou o promotor de Justiça, Sasha Alves do Amaral. "Fiquei feliz de ver no evento várias pessoas da rede de proteção local, o pessoal da saúde, da assistência social, dos abrigos, da Vara da Infância, do MP. Mas também, muita gente da sociedade civil e interessadas em lutar", contou, acrescentando que algumas das pessoas já são pais adotivos e têm essa vivência para ser exemplo no voluntariado para que outras famílias possam ter a alegria de ter um filho.

O representante ministerial ainda ressaltou a qualidade das palestras, tanto sob o aspecto técnico, quanto sob o da experiência de vida. "Foi muito bom, até para nós e para a Vara da Infância, porque muitas vezes os casos chegam de forma que não temos muito o que fazer", disse.

A existência de um grupo como o que se pretente formar é importante para o trabalho voluntário com amor e preventivo. "É preciso ajudar na acolhida humanizada para a gestante, sem constrangimento, até a finalização de todo o processo, e no final ela quiser mesmo colocar a criança para a adoção e ainda na outra ponta, o apoio aos que estão nos abrigos, crescendo sem família, para que tenham mais perspectivas de afeto e, até, de colocação em um lar".

A equipe que atuou como facilitadora do curso é do projeto Acalanto-Natal (http://www.projetoacalantonatal.com.br/). Para o vice-presidente da Acalanto-Natal, Pedro Fernandes, o evento em Mossoró "foi motivador porque nós sempre tivemos o interesse de ter um grupo irmão da Acalanto-Natal dentro do Rio Grande do Norte, pois nós atendemos pessoas de todo o estado e principalmente em virtude dessa parceria que está se estabelecendo desde cedo com o Ministério Público e o Judiciário".

O voluntário destacou que essa parceria é uma via de mão dupla, importante para o grupo, mas também para a Promotoria e a Vara da Infância, uma vez que nos municípios onde há esse trabalho forte em conjunto, o cadastro de adoção funciona e é perceptível a preocupação e dedicaçao dos juízes e promotores que são vocacionados para o tema para mudar positivamente o futuro de crianças e adolescentes.

A professora Joana D´arc de Morais é uma das interessadas em atuar no grupo de apoio à adoção de Mossoró. "Faz falta uma rede de adoção aqui. E acredito que eu posso contribuir com o trabalho volutário. Tenho uma filha adotiva e certo conhecimento para compartilhar".

Ela lembrou também que há uma escassez muito grande de informações sobre o tema e de parcerias. "As pessoas não sabem como fazer para adotar, quais os critérios e isso contribui para que as filas de adoção não funcionem. De repente você não é doador de sangue e começa a receber informações e aquilo vai lhe instigando e lhe toca a doar", comparou.

A programação do evento contou com discussões e palestras sobre temas como os grupos e suas expectativas; trabalho voluntário; grupos de apoio à adoção e Angaad (o que é um GAA, como constituir um, lutas atuais, gestão); grupo no atendimento ao público (atendendo um pretendente à adoção, atendendo uma gestante, reunião com os pais, trabalho com instituição de acolhimento); atuação na proteção (conceitos básicos da rede, polêmicas atuais em torno da adoção, papel na rede).

Participaram do evento os profissionais da rede de atendimento e do sistema de garantias de direitos, promotores de justiça, magistrados, defensores públicos, advogados, psicólogos, assistentes sociais e a sociedade em geral.